Cartilha Antonio Tavares
MST Brésil — biblioteca (WP REST API) 2026-05-06 SCORE 7/10
Document original ↗Synopsis
Ce document est une cartilha (brochure pédagogique) réalisée par Terra de Direitos et le MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), publiée en 2026 pour documenter le « Massacre de la BR-277 » du 2 mai 2000 dans l'État du Paraná (Brésil). Un groupe de quelque 2 000 paysans se rendait en convoi de bus à Curitiba pour manifester devant l'Incra, exigeant l'avancement des mesures de réforme agraire populaire : distribution de terres, crédits ruraux, et politiques en faveur des assentamentos (terres distribuées). La Polícia Militar du Paraná, agissant sous l'ordre du gouverneur Jaime Lerner, a bloqué le convoi sur la BR-277 et ouvert le feu sans avertissement. Le paysan Antonio Tavares, assentado et membre du syndicat des travailleurs rurais, a été mortellement blessé. Plus de 200 personnes ont été blessées, torturées, et illégalement détenues. Le texte contextualise ce massacre dans un pattern systématique : entre 1994 et 2002, le gouvernement Lerner orchestra 134 expulsions violentes, 502 arrestations, 16 assassinats et 7 cas de torture contre les luttes pour la terre. Antonio Tavares lui-même provenait d'une communauté traditionnelle d'îliens du rio Paraná expulsée lors de la construction du barrage hydroélectrique d'Itaipu (début 1980), qui affecta 12 000 familles. Le document sert de base à une condamnation du Brésil par la Cour interaméricaine des droits humains (2024). En prologue, il présente un Programme de Réforme Agraire Populaire articulé autour de 11 axes : démocratisation de la terre, semences paysannes, eau, organisation de la production alimentaire, agroécologie et mécanisation, politique agricole d'État, éducation rurale, culture, santé, et assentamentos comme espaces de réforme agraire. Ce programme incarne une vision radicale de refonte de l'accès foncier au Brésil en faveur des paysans et sans-terre.
En clair
Au Brésil, un paysan a été tué par la police en 2000 parce qu'il manifestait pour demander des terres à cultiver. Le gouvernement protégeait les grands propriétaires terriens et utilisait la police pour empêcher les paysans pauvres de lutter.
Extraits
Compreendido pelo MST como "um dos momentos mais emblemáticos do processo de violência e de criminalização da luta pela terra", o massacre evidencia o alinhamento entre o latifúndio, o governo e o Judiciário na violação sistemática de direitos, em especial dos camponeses.
O objetivo da manifestação era o de reivindicar avanço de medidas da reforma agrária popular, tais como distribuição de terras, crédito rural e demais políticas para os assentamentos.
Um dos tiros de arma de fogo partiu do soldado Joel de Lima Santa Ana e atingiu o camponês Antonio Tavares, um dos primeiros a descer dos ônibus. Poucas horas depois, ele faleceu por conta de uma forte hemorragia.
A família de Antonio Tavares era parte de uma comunidade tradicional de ilhéus do rio Paraná que foi afetada pelo alagamento gerado pela construção da Hidrelétrica Binacional de Itaipu, no início dos anos 1980. Cerca de 12 mil famílias foram atingidas.
Ali, Tavares passou a fazer parte do Sindicato dos Trabalhadores Rurais e a lutar pelos direitos dos pequenos agricultores. Ainda que assentado, ele seguia na luta e nas mobilizações pela reforma agrária popular.
Até hoje foi o maior cenário de guerra que eu vi. Não sai nunca mais essa marca da violência. Amargou os feridos e não feridos.