Por-que-a-Medida-Provisoria-1151-nao-pode-ser-votada

MST Brésil — biblioteca (WP REST API) 2023-03-28 SCORE 9/10

Document original ↗

Synopsis

Ce document est une prise de position collective de 57 organisations brésiliennes contre la Mesure Provisoire 1151/2022, datée du 28 mars 2023. Il dénonce l'insertion clandestine (qualifiée de « contrabando ») du droit de commercialisation de crédits de carbone forestiers dans une législation portant sur les concessions forestières publiques et la gestion des Unités de Conservation.

La mesure permettrait aux entreprises concessionnaires de forêts publiques d'émettre et vendre des crédits carbone, convertissant la gestion forestière en actif environnemental transactionnable. Le document identifie sept objections majeures : (1) les concessions favorisent les entreprises privées aux dépens des peuples et communautés traditionnelles qui habitent ces forêts ; (2) cela accentue les conflits territoriaux sans garantir d'abord les droits des peuples autochtones et les démarcations ethniques ; (3) la financiarisation de la nature réduit le droit à l'environnement à un pur actif spéculatif ; (4) l'inclusion de Fintechs contourne le démontage des politiques de régulation climatique sous Bolsonaro ; (5) les crédits carbone permettent la compensation plutôt que la réduction réelle des émissions ; (6) l'absence de régulation brésilienne du marché carbone favorise la spéculation foncière sans protections légales ; (7) cela affaiblit la position du Brésil aux négociations climatiques internationales.

Le texte articule critique de la marchandisation de la nature, défense des droits territoriaux autochtones et paysans, et refus d'une fausse solution climatique. C'est un document éminemment politique, fondé sur une alliance large (mouvements indigènes, sans-terre, paysans, féministes, noirs, travailleurs ruraux, défenseurs de l'environnement).

En clair

Le gouvernement brésilien veut permettre aux grandes entreprises de vendre des « crédits carbone » sur les forêts publiques — en gros, les laisser continuer à polluer ailleurs. Mais ça signifie que les peuples autochtones et les petits paysans qui vivent là perdent le contrôle de leurs terres au profit des spéculateurs. Ce texte explique pourquoi c'est un piège et demande au gouvernement de refuser cette loi.

Extraits

As concessões florestais são executadas por empresas, que não representam povos e comunidades tradicionais, logo, conferir a elas maior atribuição seria repassar a elas o papel de guardiãs das florestas ou submeter os povos que vivem nessas áreas a uma tutela do setor privado

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A natureza é uma bem comum e como tal precisa ser tratada como um direito.

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convertendo o manejo madeireiro em ativo ambiental e possibilitando que outro ente público ou privado, nacional ou internacional, possa compensar suas emissões de gases de efeito estufa

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A comercialização de créditos de carbono florestal visa a compensação de emissões por entes privados e atrasam a mudança necessária que o setor precisa para se comprometer com as mudanças no padrão de produção e distribuição.

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As áreas de concessão também podem ser reivindicadas por grupos étnicos, portanto, conferir atratividade de mercado a concessão sem antes garantir demarcações étnicas acentua conflitos territoriais

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O Brasil ainda não possui nenhuma regulação em vigor sobre o mercado de carbono, avançar com essa MP é colocar o carro na frente dos bois e gerar mais especulação e pressão em cima dos territórios

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A inclusão de Financial Technologies – Fintech no uso do recurso do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima avança nas medidas de financeirização da natureza e reduz o direito ao meio ambiente a um ativo transacionável.

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A MP 1151 é sobre concessão florestal, de biodiversidade e de crédito de carbono. São questões muito profundas e que precisam ser debatidas com a sociedade.

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