Carta-ao-Povo-Brasileiro_29.11.2022
MST Brésil — biblioteca (WP REST API) 2022 iLovePDF SCORE 9/10
Document original ↗Synopsis
Cette « Carta ao Povo Brasileiro » du MST (Mouvement des Travailleurs Ruraux Sans-Terre), datée de novembre 2022, constitue un programme agraire pour le gouvernement Lula. Le document diagnostique une crise majeure au Brésil et identifie trois modèles agricoles en concurrence : le latifundium (concentré, spéculatif), l'agribusiness (exportateur de commodities, prédateur écologique), et l'agriculture familiale (vivrière, durable). Le MST ancre son argumentaire dans la Constitution fédérale, qui exige que la terre remplisse une « fonction sociale ». Sur cette base juridique, le mouvement revendique : (1) une redistribution des terres des latifundiums, notamment aux abords des villes ; (2) la promotion de l'agroécologie comme modèle technologique et écologique ; (3) des politiques publiques de souveraineté alimentaire (acquisition d'aliments, alimentation scolaire, aide au revenu) ; (4) le développement de coopératives agroalimentaires dans les municipalités ; (5) la protection de l'environnement (zéro déforestation, reforestation, arrêt des minerais) ; (6) la lutte contre l'exploitation du travail. Le texte articule ainsi une critique radicale de la propriété concentrée et de la marchandisation de la terre avec une proposition constructive d'agriculture familiale, coopérative et agroécologique, fondée sur le droit constitutionnel et mobilisant les énergies de la mobilisation populaire.
En clair
Le MST propose au Brésil de prendre au sérieux la Constitution en obligeant les grandes terres à nourrir le peuple plutôt que de s'enrichir en spéculant. Pour cela : partager les terres entre familles paysannes qui produisent sans poison, aider leurs coopératives, et faire des écoles et de la dignité à la campagne.
Extraits
Nossa Constituição Federal exige que a Terra cumpra sua função social, produzindo racionalmente, respeitando a legislação trabalhista e o meio ambiente.
O latifúndio predador, que enriquece com a especulação imobiliária e da apropriação das riquezas naturais
Defendemos a agricultura familiar e dentro dela a distribuição de terras dos latifúndios, sobretudo nas proximidades das cidades, para que se multipliquem as famílias camponesas produtoras de alimentos.
Defendemos o estimulo da agroecologia como um modelo tecnológico que busca produzir alimentos saudáveis, sem agredir a natureza, gerando mais empregos.
buscando a soberania alimentar e para que se amplie imediatamente a produção alimentos saudáveis em todo pais
O agronegócio, que produz apenas commodities agrícolas para exportação, concentrados em apenas cinco produtos (soja, milho, cana, algodão e pecuária bovina).
amplo programa de agroindústrias cooperativadas em todos os municípios, para beneficiar alimentos e gerar emprego e renda para mulheres e jovens no campo
Os bens da natureza devem estar subordinados às necessidades de todo povo.
Devemos combater todas as forças de exploração no campo, como o trabalho escravo, e as péssimas condições dos assalariados sem direitos trabalhistas.